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Tiago Freitas

Claude Code + Salesforce. Claudeforce?

Claude Code + Salesforce. Claudeforce?

O que é o Claude Code?

O Claude Code é o assistente de programação da Anthropic que trabalha dentro da pasta do seu projeto. Você escreve o pedido em português, ele lê os arquivos, altera o código e roda comandos no seu computador. Antes de qualquer ação que você não liberou, ele pede autorização.

Pense num colega sentado na sua máquina que só aperta Enter nos comandos que você aprovou. Nada de copiar e colar código de um chat. Ele funciona no terminal, a tela de linha de comando, e dentro de editores como o VS Code.

Então Claude Code + Salesforce é o Claudeforce?

Não. São duas coisas diferentes, e as duas saíram no Dreamforce, no dia 15 de setembro.

Claudeforce é o nome da parceria entre a Salesforce e a Anthropic. O primeiro produto dela é o Salesforce in Claude: um plug-in com 37 skills para vendedores, que roda no chat do Claude e no Claude Cowork. O vendedor pergunta pelo pipeline ou pede para atualizar uma oportunidade sem abrir o Salesforce. O Claude entra com o usuário de cada vendedor e só vê o que as permissões dele já permitem. Está em beta, e a Salesforce aprova quem entra. É preciso ter a edição Enterprise mais recente do Sales Cloud e um plano pago do Claude.

Para quem desenvolve, a novidade é outra: o Salesforce Development plug-in para o Claude Code. Ele é oficial, feito pela Salesforce e verificado pela Anthropic. Traz cerca de 40 skills, que são pacotes de instruções prontos, para metadados, Apex, deploy, retrieve, revisão de segurança e relatórios. Ele também liga sozinho um agente chamado salesforce-dev quando percebe que a pasta é um projeto Salesforce.

Resumindo: o Claudeforce leva o Salesforce para dentro do chat de quem vende. O plug-in leva o Salesforce para dentro do terminal de quem constrói.

Sempre usei Claude com Salesforce, terei que alterar algo no meu workflow?

Quase nada. Entre 12 e 18 de setembro saíram sete versões do Claude Code, da 2.1.270 à 2.1.276. Três pontos pedem atenção:

  1. Gateway da empresa. A 2.1.275, de 17 de setembro, fez toda requisição falhar com erro 400 para quem acessa o Claude por um gateway, um servidor intermediário da empresa. A 2.1.276 corrigiu no dia seguinte. Rode claude --version e, se aparecer a 2.1.275, rode claude update.
  2. Skills da conta chegam ao terminal. Desde a 2.1.275, as skills e plug-ins que você ativou no claude.ai aparecem também no Claude Code. Se você não quer isso num projeto de cliente, desligue com "syncClaudeAiSkills": false e "syncClaudeAiPlugins": false no settings.json.
  3. O plug-in oficial. Se você já usa o Claude Code com o Salesforce CLI, instalar o plug-in é o único passo novo. O comando está no passo a passo abaixo.

Uma dica para times: coloque "autoUpdatesChannel": "stable" no settings.json. O canal stable recebe a versão com cerca de uma semana de atraso e pula as que tiveram regressão grande, como a 2.1.275.

O que muda para quem desenvolve ou administra uma org Salesforce?

Para quem desenvolve em Salesforce, o Claude Code é mais uma forma de criar metadados, escrever Apex e rodar o Salesforce CLI a partir de uma conversa. Ele é uma opção ao lado do VS Code com as extensões da Salesforce, não um substituto.

O que eu configuro antes de usar num projeto Salesforce:

  1. Conecto só em sandbox, a cópia da org feita para testes.
  2. Libero acesso de rede por comando. Desde a 2.1.271, de 14 de setembro, dá para deixar o Salesforce CLI falar só com os endereços da org e de login.
  3. Ligo o Claude Code ao servidor MCP da Salesforce com um usuário de integração de permissões limitadas. MCP é o padrão que conecta assistentes de IA a outros sistemas. Desde a 2.1.274, o erro 403 diz qual permissão falta.
  4. Em time, todo mundo usa a mesma versão e só atualiza depois de testar.

Entre 4 e 14 de setembro saíram cinco correções ligadas a permissões. Por isso trato essas regras como proteção contra engano e deixo a segurança na credencial da org.

Nunca usei. Como começo?

  1. Tenha um plano pago do Claude (Pro, Max, Team ou Enterprise). O plano gratuito não inclui o Claude Code.
  2. Instale as ferramentas da Salesforce: o Salesforce CLI, o Node.js na versão LTS e o Python 3.8 ou mais novo. O plug-in usa os três.
  3. Instale o Claude Code. No Windows, abra o PowerShell e rode irm https://claude.ai/install.ps1 | iex. No Mac ou Linux, rode curl -fsSL https://claude.ai/install.sh | bash. Confira com claude --version.
  4. Conecte a sua sandbox. No terminal, entre na pasta do projeto Salesforce DX e rode sf org login web --alias minha-sandbox --instance-url https://test.salesforce.com --set-default. O navegador abre para você fazer login na sandbox.
  5. Abra o Claude Code na pasta do projeto: rode claude. Na primeira vez, o navegador abre de novo para você entrar com a conta do Claude.
  6. Instale o plug-in da Salesforce. Dentro do Claude Code, digite /plugin install salesforce-development@claude-plugins-official.
  7. Comece com um pedido que só lê. Por exemplo: liste os objetos customizados da minha sandbox e explique para que serve cada um. Assim você vê como ele trabalha antes de deixar ele alterar alguma coisa.
  8. Leia antes de aprovar. Cada vez que ele pedir autorização, leia o comando. Se o comando fala com produção, recuse.

E no dia a dia?

Um desenvolvedor abre o terminal na pasta do projeto e escreve: crie uma regra de validação na Oportunidade que bloqueie data de fechamento no passado e faça o deploy na minha sandbox. O Claude Code cria o arquivo da regra, mostra o conteúdo e pede autorização antes de rodar o deploy.

Se o deploy falhar, ele lê o erro, propõe a correção e pede autorização de novo. Ele revisa cada arquivo antes do commit. É o jeito que monto com times de org grande: o assistente fica na sandbox e produção continua no pipeline de sempre.